quarta-feira, 1 de março de 2006

Tempo, tempo, mano velho

Assistindo uma propaganda sobre Mário Quintana hoje, numa em que um cara declama, creio eu, um poema dele sobre o tempo, caí um pouco na real (só um pouco). Em julho faço vinte anos, que não é uma idade pra ficar reclamando sobre o tempo que passou. Entretanto, tenho a mesma sensação de um homem de sessenta anos que, de repente, vê que sua vida passou na sua frente, e ele não soube aproveitar.
A sensação, pra ser mais exato, é que minha adolescência passou, e eu soube aproveitar muito pouco dela. Fui me dar conta dela só pelos meus quatorze anos, perdi bons anos acreditando em pessoas que benefício nenhum me trouxeram, mais uns bons anos tentando me reaproximar e me recolocar num determinado grupo que não tinha espaço pra mim, e quando encontro meu verdadeiro lugar, vejo a adolescência me escorrer pelos dedos. Agora nada mais é como em 2003 ou 2002; agora tenho responsabilidades inimagináveis nessa época; agora não posso deixar as coisas pra depois. Por um lado isso é bom, nos ensina a sobreviver na selva que é a sociedade bolorada e medíocre que a gente vive. Mas, ao mesmo tempo, me deixa uma sensação de vazio difícil de preencher com as pessoas que me rodeiam.
Essa sensação de vazio está intrinsecamente relacionada com essa "crise dos vinte" que começa a me afetar, pois os anos perdidos (acho que perdidos é meio forte, diria então, anos que faltaram viver) foram anos de solidão. É contraditório dizer isso, já que nesses anos conheci pessoas que ficarão pro resto da minha vida no meu coração, e outras que passaram por ele e não mereceram ficar. Mas é a mais pura verdade, principalmente quando paro pra analisar o meu redor, e percebo que nesses vinte anos de existência (seis deles oficialmente na adolescência) não fui capaz de encontrar alguém pra preencher meu vazio. Não creio que tenha sido incapacidade, nem falta de oportunidades; o "x" da questão não está nos outros, mas em mim mesmo. Foram seis anos de grandes tormentos pessoais, dilemas tão grandes que pensei que jamais iria conseguir me livrar deles. Agora, que a tempestade "adolescêntica" tá quase passando, visualizo muito melhor as coisas, e vejo que nem tudo é tão complicado assim. Eu sinto que é hora de encontrar alguém pra me acompanhar nessa nova fase "pós-adolescência pré-adultez", eu já sinto, cada dia mais, o que eu realmente quero, e já me sinto pronto pra ir a luta. É só começar a mexer os pauzinhos.
Eu não consigo parar de visualizar a vida como uma constante novela das oito. Eu sou o mocinho, eu tenho vilões, e tenho que encontrar o meu grande amor.

PS: eu vou encontrar a poesia do Quintana que o cara da propaganda declama, e vou pôr aqui qualquer dia.

(Encontrei o poema)


A vida são deveres que trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira...
Quando se vê, já é Natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida...
Quando se vê, passaram-se 50 anos!
Agora, é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Seguraria o meu amor, que está há muito à minha frente, e diria eu te amo.
Dessa forma, eu digo: não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe te ter alguém ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá, será desse tempo que infelizmente, não voltará mais.

Mário Quintana

2 comentários:

Anônimo disse...

o tempo acabou
e agora josé?

Anônimo disse...

Mas, ao mesmo tempo, me deixa uma sensação de vazio difícil de preencher com as pessoas que me rodeiam.

é assim, é... falcatrua!!!!