Sozinho em casa, ouvindo Los Hermanos as duas da manhã, que mais iria eu fazer? Escrever pro blog. Os últimos dias têm sido repetitivos (motivo da última letra de música). Acorda tarde, toma banho, corre pro hospital, almoça, bate cartão, trabalha até as 8 e 15, bate cartão e volta pra casa. Alguns parcos eventos até que me fazem lembrar que tenho uma vida social, mas nada me tira do total estado de inatividade no qual se encontra meu espírito. Nunca pensei que dinheiro traria felicidade, e realmente ele não trouxe; trouxe, na verdade, contas a pagar, responsabilidades maiores e dores ao gastar que eu não tinha antes, pelo fato de não ter dinheiro. O antepenúltimo texto, a breve declaração, foi pra dizer (ou tentar me fazer acreditar, e acreditem, deu certo) que eu deixei de querer quem não me quer. Já é um começo, só não sei ainda do quê. E então meu coração retorna ao seu estado inicial, de total vazio e vácuo.
Eu realmente sou um cara estranho. Sinto-me sozinho rodeado de pessoas que me querem bem, só desejo o que não posso ter, brigo até não poder mais com minha mãe, mas não vivo longe dela uma semana sequer, quero muito voltar às aulas, mas tenho uma preguiça monstro de estudar. Em síntese, não dá pra me entender. Ainda bem!
Esse texto não está nada poético, nada formal, nada profundo. É um lirismo chato pra cacete, de um escritor falido, que sonha em escrever poesias “a la” Drummond, e novelas “a la” Manuel Carlos. É verdade! Um dia vou escrever uma, e é bem capaz de que haja uma Helena protagonizando.
Fui numa formatura da História sábado, e me emocionei pra cacete (hoje estou a fim de falar palavrões) na cerimônia. Sei que está bem longe (no mínimo uns cinco anos), mas já tenho uma opção pra música que me formarei:
“Todo carnaval tem seu fim… todo carnaval tem seu fim… e é o fim, é o fim… Deixa eu brincar de ser feliz, deixa eu pintar o meu nariz…”
Significados: acabou a época de festa, deixa-me acreditar que serei feliz na minha profissão, e deixa eu me enganar que mudarei alguma coisa sendo professor de História.
Nós estamos sempre em busca de um grande amor, daquela pessoa que estará do nosso lado o tempo todo, nos acompanhando, nos desejando sorte, nos afagando, nos satisfazendo. E também cremos que somos o grande amor de uma pessoa, que estão nos procurando em algum canto pra sermos felizes pro resto da vida. Só que, às vezes, caímos na real, e percebemos que não vivemos na novela da seis, que nosso amor não vai durar até a outra vida e, quem sabe, jamais encontremos esse grande amor. Mas porque insistimos em ser românticos, se o romantismo representa o retrocesso? É isso mesmo, o movimento romantista do século XIX representou uma tentativa de retornar a ordem medieval das coisas, em contrapartida ao avanço científico e tecnológico que se observava. Ser romântico, definitivamente, significa ser atrasado. Perde-se muito tempo, gasta-se muita energia, e o resultado é, na maioria das vezes, menos do que o esperado. Ser romântico é viver alienado aos sentimentos, que detém todos os meios de produção do espírito, aliena o corpo de grande parte do lucro que ele gera, e esse lucro é transformado em mais sentimentos, mais paixões impossíveis, mais amores platônicos (ou marxistas), mais sofrimento. Uma parcela mínima dos nossos neurônios (comunistas revolucionários malditos!) tenta nos acordar, fazer-nos cair na real, que essa história de romantismo é muito bonita na novela das seis, da sete e das oito, mas na vida real não funciona direito. Acredita-se por um momento, mas logo vem a resposta dos detentores do poder em nosso espírito, e assim esquecemos de tudo isso e caímos na mesma história de sempre.
É, tentar explicar como funciona o espírito de um romântico estudante de História, através da teoria marxiana, é desastroso. Coisas de proto-historiador mergulhado na solidão, no tédio e na carência. Quer ficar comigo? Acho que não...
Que tal uma cerveja?
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4 comentários:
Virxi!!
a cerveja agente deve um pro outro a uma década.
tipo desde que o michel jackson era negro.
mas agente toma ainda.
gostei do que escrevesse de romantismo, nada mal.
estar vazio muitas vezes rende bons escritos. acho que a maioria dos grandes escritores do último século teve uma vida extremamente vazia e infeliz. imagino quase todos como bukowiski escreve deles.
Já dizia Schopenhauer: Viver é sofrer. Vamos todos ao encontro do nada!!!
Que horror, cada vez mais Hobbesiana também... Acho que é a condição de nós pensadores a agonia.
Sobre amores: para de procurar, para de pensar nisso, deixe que te procurem.
beijão, te adoro
putz... concordo com muito que tu disseste....
ja leu "A alma do homem sob o socialismo" do Oscar Wilde?
Tem na lpm pocket... é bem legal... li e lembri de ti e das nossas conversas durante a aula do renato...
Já sentiu saudades desse tempo???
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