quinta-feira, 22 de novembro de 2007

PLANTÃO!! PÃ-PÃ-PÃ-PÃ

***INTERROMPEMOS NOSSA PROGRAMAÇÃO PARA UM PRONUNCIAMENTO DE UMA RÊS PERDIDA, TENTANDO SER ARREBANHADA PELO MOVIMENTO PECUARISTA:
Clima de eleições!!! "Bolo e guaraná, muito doce pra você" já diria a loirosa rainha dos baixinhos. É feeeeeesta!! Cartaz tem por tudo, panfletinho também, aquele clima de "exerça seu direito ao voto, seja cidadão". E as crianças no parquinho!!! É o mais engraçado... Mas o melhor da festa é o show, a arena montada no meio da UFRGS, uma rinha de galo: LIBERAIS X SOCIAIS-DEMOCRATAS X TROSKOS. É lindo de ver!! Um dizendo que o outro vai aumentar o RU, que é nazista, facista, racista, lulista, governista, stalinista, contra cotista, uma lista de "ista" na pista. VÃO CHUPAR UMA PIÇA! (Foi boa a tentativa de rima? Sou um bom rimista... ahuauhhuahua).
O que mais me impressiona é o Jornal Nacional cara. Mais do que tudo. Foram parar no Diário Oficial!! Não é pra qualquer um... E tudo por causa de uma suástica mal acabada num cartaz.
Isso crianças, continuem a brincar no parquinho, continuem sua rinha de galo na arena, continuem no movimento pecuarista arrebanhando cabeças de gado pro "muuuuuuuuuuvimento estudantil". Eu mesmo já me auto-intitulo um "palhaço do circo sem futuro"... não preciso nem dizer porque né?***VOLTAMOS AGORA COM MAIS UM EPISÓDIO DE MALHAÇÃO, EM CLIMA ELEITORAL!!!!

Eleições Dissentes e a Metáfora da Infância

(autor desconhecido)

Outro dia recebi um panfleto de um desses zumbis de eleição e me admirei lendo uma das propostas de sua chapa. Não, não se enganem, não foi pelo fato das propostas em questão serem sólidas e inovadoras, apontado para soluções criativas resolvendo antigos problemas... nada disso! A tal chapa (3) descaradamente prometia em seu material eleitoreiro ser libertária e transparente caso vencesse a eleição.

Será uma piada? O analfabeto político que escreveu o panfleto sabe o que essa palavra significa? Teria a referida besta alguma noção do grau de distorção e da ofensa que causaria o tal panfleto em um libertário de verdade? Bom, acontece que por mais estranho que isso possa parecer, já há algum tempo, me considero um libertário. (É preciso desde já explicar para os eventuais leitores da VEJA, e outras criaturas sem muito conhecimento do que quer que seja, que a palavra libertário está relacionada a filosofia anarquista. Para mais informações visite a wikipédia, ok?) Por incrível que pareça também conheço história e política o suficiente para saber a diferença entre um liberal, um social-democrata, um trotskista e um libertário.

Esse tipo de conhecimento está cada vez mais raro em nossa universidade, talvez tenha sido este fato o grande motivador deste texto. Já que vivemos nos anos dourados do pecuarismo decidi dar nome aos bois.

Mas qual é a forma pedagógica adequada para esta tarefa? Que recurso didático devo eu recorrer para ser compreendido até mesmo para aqueles pobres coitados a quem aponto minhas críticas? Inspirado por Paulo Freire e George Orwell pensei em algo que fizesse parte da vivência de qualquer um, como contexto de uma narrativa metafórica. Ora, nada melhor que os elementos da infância e da família num cenário conhecido como por exemplo parquinho de praça.

Pois bem, a eleição será o parquinho com seus brinquedos na metáfora em questão.

Dentro do Liberal não passa de um menino genioso e espinhento que ama antes de tudo a mamãe (Mentira) e o papai (Mercado). Sente algum afeto por sua babá (Democracia Representativa) que limpa a merda de sua bunda branca e elitista. Gosta bem menos do mordomo cansado (Trabalhismo) que além de acobertar todas as suas cagadas ainda lhe serve refresco mesmo que tenham acabado as laranjas (bom senso). Pensa ele que pode tomar conta de tudo do alto do seu escorrega, no parquinho (eleições) este guri se acha o rei. De seu escorrega ele esnoba os coleguinhas, derruba-os na lama e ainda assim tenta manter sua camisa pólo azul bebê bem limpinha. Nosso menino liberal tem uma noção bem curiosa daquilo que entende por liberdade. Montado nas costas de seu mordomo cansado, o guri grita – liberdade é ferrar antes de ser ferrado, o dominador é tão livre quanto o dominado!

No entanto, assim que este meninote crescer tudo será diferente. Ele estuprará a babá que tanto o mimou e degolará o velho mordomo, tudo em nome do brasão da família, o cifrão de dólar. E assim se tornará um rapaz genioso.

Já o Social-Democrata é o filho da babá. Ele também gosta de brincar no parquinho e queria ter os brinquedos do Liberal, como não os têm, fica vermelho sem perder a compostura dizendo que irá mudar tudo assim que conseguir subir no escorrega. Por vezes fica de pé na ponta da gangorra imaginando que esta pode se tornar um trampolim eleitoreiro levando-o mais alto que todas as outras crianças. Nesse momento sempre acaba levando terra na cara em outra das típicas travessuras do liberal. Com o tempo o social-democrata ficou um garoto meio rabujento, odiava secretamente o liberal, mas nunca retrucou qualquer uma de suas agressões por respeitar muito as vontades de sua mamãe (e assim será até os 49 anos quando parará de chupar o bico). Diante da revolta do filho a babá acabou por levá-lo ao consultório de seu patrão, o Doutor Mercado, que em nossa metáfora é um respeitável psicólogo e secretamente um dos pedófilos mais sujos da Terra. Depois de algumas consultas com Dr. Mercado, o filho da babá acabou pegando gosto pela coisa e, agora, apesar de sua aparente revolta, só quer saber de passar do colo de sua mamãe para o colo do papai do liberal.

O trotskista é um órfão de mãe solteira (revolução autoritária). Sua mãe o criou sozinho até morrer de falência múltipla dos órgãos em função das complicações de um empurrão escada abaixo dado por seu outro filho (irmão gêmeo do trotskista) o stalinista. Depois da morte de sua mãe o trotskista acabou sendo criado pela vizinha que coincidentemente é a babá (democracia representativa). Este guri traumatizado (afastado de seu irmão gêmeo assassino) é digno de pena: idolatra sua mãe e inutilmente projeta sua imagem na babá que o adotou, sofre crises de identidade no parquinho enquanto gira no girador, chora de raiva acabando sempre no mesmo lugar onde começou, e de vez em quando ainda ouve em sua mente perturbada a voz de seu irmão assassino a lhe ditar as regras. Por morar na casa da babá o trotskista se submete à todas as suas regras – cabelos penteados, dentes escovados, pra caminha às 8 horas. Por não dispor de muitos recursos a babá veste as roupas de seu filho (social-democrata) no órfão, resultado - os dois estão ficando cada vez mais parecidos. No parquinho o trotskista Faz muxoxos e tenta em vão se diferenciar do social-democrata competindo com ele para ver quem é o mais revoltadinho, tudo é claro, sem quebrar as regras ou magoar sua mamãe adotiva. O trotskista odeia o liberal-democrata e toda sua família, o motivo ele já não se lembra, alguma coisa haver com a identidade de seu verdadeiro pai.

O libertário é um menino que acha o parquinho uma merda. Odiado por algumas crianças, invejado outras, ninguém sabe direito de onde veio, ou quem é sua família. Toda tarde a babá se descabela tentando fazer com que ele se alinhe as suas regras e fique dentro da segurança do parquinho. Quando não consegue o chama de bagunceiro e acha que tem autoridade para botá-lo de castigo. Mas o anarquista não liga e dribla a babá bem fácil sabendo que ela não passa de outra imbecil, permanecendo a uma distância segura do parquinho. Ele não precisa de brinquedos coloridos, de cercas ou de babá, já que tem como passatempo predileto sua própria imaginação. Através dela ele imagina e coloca em prática modos de ser realmente livre. Olhando para as outras crianças com olhos risonhos do outro lado da cerca, de onde ele se senta e ironiza os gritinhos que ouve do trotskista em seu eterno girador – esses guris tontos com suas picuinhas de parquinho, longe de serem livres ou transparentes, cada vez mais eles se parecem mais uns com os outros, cada vez mais são todos iguais.

Moral da estória, dessa política de guris ranhentos, anarquistas como eu, só podem querer é distância. Espero que depois dessa metáfora vocês de dentro do parquinho possam entender um mínimo de alguma coisa.

Façam bastante planos e brinquem bastante em sua eleiçãozinha mas não se esqueçam – quando o tempo da politicagem passar, cada um pra sua caminha.

saudações libertárias

2 comentários:

nome: tecnocaos disse...

Muito interessante essas crianças no parquinho, a descrição do liberal é especialmente convincente.

mas o melhor foi o:
""muuuuuuuuuuvimento estudantil".

hehehehehehehe... muito bom, adorei!....

luciano disse...

seu anarquista autonomista não-representativista de merdista