Pelo avançado da hora, já é segunda-feira, 02 de janeiro de 2006. Esse, então, será o primeiro post do ano, e já começará mal.
Pois que ontem foi domingo (e ainda é, não dormi) e domingos me fazem mal. Sentimento de solidão me acompanhou o dia inteiro, acho que realmente é no domingo que dou de cara com a verdadeira condição na qual me encontro: um solitário inconformado. Ontem foi a festa de reveillon, que foi muito divertida, mas ao mesmo tempo foi permeada de situações desagradáveis e sensações ruins. Não foi fácil passar a virada naquele contexto, muitas coisas vieram à mente. Foi só auto-flagelação, bem como tinha imaginado dias antes, mas foi elevada à décima potência. No final das contas, me diverti, mas não totalmente.
Chegou a hora de fugir, mais uma vez. Passadas as festas, essa turbulência de final de ano, aí está janeiro, com seu calor e seu marasmo. A cidade vazia me dá a sensação de que estou no lugar errado. Pelo menos não serão férias enclausuradoras, pois agora tenho "diversão" todos os dias, das 14 às 20 horas numa recepção. Todos pensam que estou feliz com o emprego, radiante, que não caibo em mim de felicidade: na real, estou feliz sim, mas pelo fato de ter um dinheirinho certo ao fim do mês, e não pelo fato de trabalhar. Ninguém ficaria feliz de ficar seis horas de pé, num sapato apertado, sorrindo incessantemente para pessoas que mal olham na tua cara.
Mas a minha infelicidade maior nesses dias tem outro nome, inenarrável aqui. E é esse o principal fator que me guiará na minha mais nova fuga, rumo à clausura dos meus pensamentos. Chegou a hora de se recolher em casa (ou o que estiver de pé dentro dela, maldita reforma) pra ver se passa a tempestade. O limite chegou ao fim ontem, na festa de reveillon, e agora não há mais nada a fazer a não ser fugir, para evitar o pior. Eu espero que seja o começo do fim de um sentimento tão bonito, que se transformou num pesadelo pra mim.
***
Los Hermanos - Adeus Você
Adeus você. Eu hoje vou pro lado de lá. Eu tô levando tudo de mim
que é pra não ter razão pra chorar. Vê se te alimenta e não pensa
que eu fui por não te amar. Cuida do teu pra que ninguém te jogue
no chão. Procure dividir-se em alguém, procure-me em qualquer
confusão. Levanta e te sustenta e não pensa que eu fui por não
te amar.
Quero ver você maior, meu bem. Pra que minha vida siga adiante.
Adeus você. Não venha mais me negacear. Seu choro não me faz
desistir, seu riso não me faz reclinar. Acalma esta tormenta e
se agüenta, que eu vou pro meu lugar.
É bom, às vezes, se perder sem ter porque, sem ter razão. É um
dom saber envaidecer, por si, saber mudar de tom. Quero não
saber de cor, também, pra que minha vida siga adiante.
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