sábado, 28 de janeiro de 2006

A peça

Eu acho que voltei a ser figurante, agora com carteira assinada e cartão-ponto. Sou figurante de um espetáculo repetitivo, já encenado muitas vezes, cujas falas conheço de cor. A reação da platéia é a mesma, e as luzes se apagam na mesma hora, todos os dias. No roteiro da peça, um cara sozinho, amargurado, enclausurado em seu próprio mundo, que durante o dia convive harmoniosamente e hipocritamente com o mundo real, e durante a noite viaja pelas mais variadas realidades, tentando vivenciar nos sonhos o que não consegue durante o dia. Pra ele, não é fácil ver as pessoas queridas distantes, os desejos ocultos inalcançáveis, a rotina maçante e destruidora, os momentos de solidão nos quais ele se encontra com seu verdadeiro "eu".
E no final de tudo, já no escuro do palco, o figurante chora.

Um comentário:

vah disse...

Vidas que se acabam a sorrir
Luzes que se apagam, nada mais
É sonhar em vão tentar aos outros iludir
Se o que se foi pra nós
Não voltará jamais
Para que chorar o que passou
Lamentar perdidas ilusões
Se o ideal que sempre nos acalentou
Renascerá em outros corações


luzes da ribalta.