domingo, 27 de novembro de 2005

Nas internas tudo vai mal...

Queria estar escrevendo sobre o quão bom está sendo estar ao lado de quem eu gosto; queria estar escrevendo sobre a vitória do Grêmio ontem, e o sofrimento daquele jogo histórico que fez meu time subir pra série A; queria estar escrevendo qualquer aspecto da minha vida que me faz bem. Mas não consigo. Porque apesar de todas as coisas boas que configuram a minha realidade, apesar de estar com uma pessoa maravilhosa, que transforma cada momento que vivo com ela num momento especial, infelizmente não consigo me sentir bem. Não dá pra separar, é impossível ser um na rua, na faculdade, e ser outro em casa, com a família. É impossível estar feliz com o que acontece fora de casa, sendo que a própria casa está em ruínas. Sim, esta casa, esta família está em ruínas. Tem um velho e bom ditado que explica muita coisa: quando a miséria entra pela porta, o amor sai pela janela. E engana-se quem pensa que isso acontece só em casamentos; servem pra famílias desestruturadas também.
Há toda uma construção social baseada na importância do seio familiar como o átomo da sociedade, indivisível, maciço, unido por fortes laços de interação. Não é bem assim. Existem muitas famílias que seguem esse princípio, noutras tantas ele é imposto, e quem o desrespeita é taxado como a "ovelha negra". Há famílias cujos cérebros são tão pequenos, existem familiares cujos objetivos são tão medíocres, que não há possibilidade de uma convivência sequer pacífica. Mas esse problema piora quando os laços com certo familiar são mais estreitos, mais próximos, significando a obrigação da convivência diária. Sendo assim, a vida em casa torna-se infernal para ambos, que acabam machucando-se e ferindo-se mutuamente.
Já passei por momentos piores em casa, por situações bem mais complicadas. Já sofri de todas as maneiras, já pensei em inúmeras bobagens, já falei inúmeras besteiras. Não consigo pensar em mais nada. O problema é crônico, cíclico, e o sofrimento é contínuo, desesperador. São mais de cinco anos de problemas. Cinco longos e intermináveis anos de altos e baixos, de idas e vindas, de mentiras e verdades. Nesses longos cinco anos de convivência forçada, perdeu-se a amizade, perdeu-se o respeito. São dois gênios totalmente diferentes, incompatíveis. Aliás, meu gênio não é compatível com nenhum integrante da família. Já é impossível o diálogo.
Mas agora há um diferencial. Quando as condições externas não eram tão melhores que as internas, minha impotência e, principalmente, minha paciência me faziam suportar todas as intempéries. Agora, as condições externas são diferentes, e isso tá me mudando: eu não posso ser um lá fora, e outro aqui dentro. Eu quero me sentir bem, lá fora e aqui dentro! Não quero que um interfira no outro, porque assim eu posso perder todas as minhas conquistas. Tá na hora de começar a agir, pra mudar essa situação. Eu preciso me declarar independente, o quanto antes.

2 comentários:

Chando, Lucas disse...

belive, se há alguém quete entenda sobre esse post, esse alguém sou eu. Com a diferença que eu tive muita sorte, de um fogo, fui pra frigideira, e quando a frigdeira se tornou também insuportável, tinha a casa dos fundos, minha morada atual.
Não tenho bons conselhos pra ti, só posso te desejar boa sorte.
hug

Miúriel disse...

sério, eu ainda me impressiono de como tu escreve bem!^^
é tão lindo isso!^^

beijo toniii
e muita calma