sábado, 7 de abril de 2007

Chocolate, acre chocolate

Invisível

Inaudível

Insensível

Dispensável

Lá está ele, sozinho no meio da multidão, esqueletos balançando freneticamente. As pessoas passam por ele, as vozes trespassam seus ouvidos, o vento sacode seu cabelo. E ele continua lá, sozinho. Ele pensa que é autosuficiente, mas as pessoas dizem que ele vive de ilusão. E ele continua sentindo o gosto acre da solidão, enquanto murmura "vou desaparecendo, mas estou sempre lá, sei que por um momento, fujo sem sair do lugar". Assim ele vai seguindo seu caminho, até encontrar alguém que ele não sabe quem é. E enquanto foge, mesmo estando lá no mesmo lugar, ele vive as maravilhas do "e se..." e sorri abertamente. As pessoas ao seu redor não entendem, e continuam se balançando freneticamente. E de olhos fechados ele sonha, sozinho, no meio da multidão. Toma um gole de água, tira o gosto acre da boca, e continua seu caminho.

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